terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Enfermeiros - uma luta justa




Carta de um Enfermeiro

«Olá colegas, amigos e familiares:

Os enfermeiros enfrentam hoje uma profunda humilhação e desqualificação do que é o nosso trabalho, com a tentativa do governo em diminuir o nosso salário, que já por si nunca teve a actualização do bacharelato para a licenciatura.
Hoje, sendo licenciados, recebemos como bacharéis e o governo ainda quer baixar mais.

Envio-vos este folheto que compara os salários de diversas profissões. Não achamos que os outros ganham muito: nós é ganhamos de menos! Não costumo pedir isto mas acho que agora é o momento para vos pedir que encaminhem este mail para todos os vossos contactos... Não se trata de SPAM mas da necessidade de divulgar a humilhação revoltante junto do máximo de pessoas. Precisamos que a população compreenda o que está a ser feito connosco.Pelos enfermeiros, pelos colegas recém-licenciados, pelo meu, nosso, ano de finalistas e futuros recém-licenciados. Enfim, Por Todos!

Um abraço,

E NÃO SE ESQUEÇAM...
DIA 27, 28, 29- GREVE GERAL
DIA 28- PORTO, MARCHA LENTA
DIA 29 - LISBOA, GRANDE MANIFESTAÇÃO.. »
a) Enfermeiro devidamente Identificado

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

O militante da Lusofonia

Conheci Lauro Moreira, numa tertúlia poética, no final de 2007. Fomos apresentados por Maria das Graças, amiga comum, actriz brasileira que vive em Portugal há mais de 30 anos. Desde então «O Embaixador», como sempre me refiro a ele, tem-me dado o privilégio de ser meu amigo.

É um dos homens mais fascinantes e cultos que já conheci. A sua aposentação como Embaixador – e o regresso ao Brasil – vai privar Portugal do convívio com um dos maiores vultos da diplomacia lusófona e de um genial agente da cultura de Língua Portuguesa.

Convosco quero partilhar um texto por mim escrito, em Janeiro de 2008, para o gratuito de cultura e espectáculos «Conversas de Café», um jornal já extinto que então dirigia.

Aquele Abraço, Lauro! Até já...

António Manuel Pinho

Embaixador Lauro Moreira
«O diplomata é um técnico de ideias gerais»

É uma personalidade encantadora, horas de conversa não cansam os ouvintes, num discurso fluido de uma simplicidade pedagógica. Temos muita sorte, durante algum tempo vamos vê-lo entre nós. Jantamos com o Embaixador do Brasil junto à CPLP

É sempre essa velha tragédia que, no caso em apreço, assume um dramatismo ainda maior. É uma espécie de processo auto-censório, por via do espaço físico da página. A conversa durou quatro horas. Este homem de 67 anos, que irradia uma energia absolutamente contagiante, vai desfilando a sua trajectória – e o jornalista contorce-se na impotência óbvia de não poder transcrever uma lição viva da História do Brasil e da sua cultura.

O Embaixador, ou melhor, o cidadão do mundo e militante da Lusofonia Lauro Moreira, é uma personalidade ímpar e um diplomata atípico, como mais adiante se verá. Filho de político, deputado federal e, ocasionalmente, presidente da Câmara de Deputados, Lauro sempre se deslumbrou pelo mundo das artes, particularmente das cénicas, tendo até formado um grupo experimental de teatro quando cursava Direito [que adorava], embora detestando a advocacia. E foi assim que a carreira diplomática surgiu como possibilidade – num homem que sempre quis trabalhar numa coisa que fosse maior que ele. E tem sido sempre assim.

No entanto, por estranho que pareça, 85 porcento da carreira do representante do Brasil junto à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) foi passada na área económica. «Você não consegue vender um parafuso a um país, sem que esse país tenha ouvido uma música sua, tenha visto um filme seu ou tenha lido um livro», assim nos diz do alto desassombrado da sua sabedoria. Certamente porque a área cultural é absolutamente abrangente, como aliás tem sido o seu mote vivencial.

Realizou e produziu filmes em Super 8, ganhou um concurso de fotografia e organizou inúmeros espectáculos e eventos culturais em todas as chegadas do mundo que abraçou. Desde cedo conviveu com grandes vultos da cultura brasileira, a começar pela mulher com quem foi casado durante anos, Marly de Oliveira (que recentemente nos deixou) –, um nome maior da poesia da lusofonia. Pela sua casa passaram nomes como Cecília Meireles, Carlos Drumond de Andrade, Augusto Maia, Aurélio Buarque de Holanda e Manuel Bandeira [que foi seu padrinho de casamento], entre outros.

Aliás, Manuel Bandeira – de quem produziu um CD, recém lançado com temas gravados na sua própria casa – terá, em muito, contribuído para a autêntica paixão de Lauro pela música brasileira. A sua passagem por Barcelona, entre 91 e 94, produziu uma autêntica revolução nos hábitos de consumo da música brasileira na Catalunha. O Clube de Música Brasileira de Barcelona, por si fundado, produziu dezenas de concertos em cidades catalãs e deu a conhecer a cultura brasileira, como nunca antes se havia verificado.

Em Portugal, enquanto embaixador junto à CPLP, tem animado a representação diplomática com várias tertúlias e viagens pela História e cultura brasileiras. Outra coisa, aliás, não seria de esperar de quem já foi presidente da Academia de Letras da Universidade do Rio de Janeiro, mas que, de igual modo, tem despertado alguns rancores de medíocres alapados – que olham com despeito para o seu protagonismo.

Neste início de ano, em que a esperança vislumbra pela urgência de necessidades várias – pessoais e colectivas -, o exemplo de Lauro Moreira é uma pedrada no charco do cinzentismo que, regra geral, domina os “homens de Estado”.
Que continue a protagonizar!

Texto: AMP
Foto: LUÍS ROCHA


DESTAQUES O que diz Moreira

«O principal problema da CPLP, até este momento, é o próprio desconhecimento que há dela. Um dos maiores desafios que temos é dar-he maior visibilidade.
O que está faltando são iniciativas mais visíveis da sociedade civil, porque a CPLP não pode ser somente uma união de Estados. Ela tem de 'baixar' ao nível dos cidadãos»

«A língua é um animal vivo, dinâmico, que vai sempre evoluindo (…). Mas, ao menos, é necessário que você acerte como escrevê-la (…). Temos hoje um Acordo Ortográfico , assinado há 17 anos pelos países lusófonos, que visa simplesmente acabar com a indesejável dicotomia existente na forma de escrever a Língua Portuguesa. Só falta Portugal adaptá-lo, coisa que o Brasil pretende fazer a curto prazo.»

[In CONVERSAS DE CAFÉ, 4 Janeiro 2008]
Na Foto: LAURO MOREIRA com o empresário da noite lisboeta HERNÂNI MIGUEL e a actriz MARIA DAS GRAÇAS
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> Actualização: sábado, 23 Janeiro
Prémio Personalidade Lusófona do Ano
O MIL, MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO e a Academia das Ciências de Lisboa vão fazer a entrega do PRÉMIO PERSONALIDADE LUSÓFONA DO ANO (2009), atribuído ao Embaixador do Brasil na CPLP, Lauro Moreira, que decorrerá no dia 8 de Fevereiro, às 17 horas, na sede da Academia (Rua da Academia das Ciências, 19), numa sessão presidida pelo Professor Doutor Adriano Moreira.
MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO (http://www.movimentolusofono.org/)(blogue: http://www.mil-hafre.blogspot.com/)

Portugal fica mais pobre!

MEUS AMIGOS,

Não é sem grande pena que lhes faço saber de minha partida próxima e definitiva de Portugal, após um intenso convívio com pessoas e instituições, das quais levarei as recordações mais gratas.

Foram mais de três anos e meio de trabalho à frente da Missão do Brasil junto à CPLP - que tive a honra e o privilégio de instalar – durante os quais tudo fizemos para contribuir para o alargamento do diálogo entre os nossos países e o aprofundamento do intercâmbio cultural no âmbito da lusofonia. Cabe-me agradecer a cada um dos Senhores pelo incentivo e pela colaboração com que sempre me distinguiram.

Retorno agora ao Brasil, em meados de fevereiro, aposentado do Serviço Público, após 45 anos dedicados à diplomacia de meu país. E volto, mais disposto que nunca, para continuar servindo de um modo ou de outro à causa maior da lusofonia, da qual nunca me afastei.

Obrigado a todos. Até breve.

Lisboa, 20/01/10
Lauro Moreira
(Embaixador do Brasil junto à CPLP)

Foto: LUÍS ROCHA

Jornal PRIVADO, informação [mais] pública




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Emergências Instáveis

Balanço de a normalidade

António Pedro Dores*

Na aparência o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça e o Procurador-Geral da República – quem sabe se não foi com a intenção de proteger a justiça de mais uma vergonha – decidiram atirar para canto uma série de queixas-crime atiradas por órgãos próprios sedados em Aveiro.

Mesmo o mais iletrado dos portugueses entendeu haver ali trafulhice. Os mais informados reclama que se classifique o processo: ou é administrativo ou é criminal? É que está num limbo para poder ser criminal no alcance e administrativo no tratamento. E este é um processo regulado ao mais alto nível das instituições judiciais. Poderemos imaginar o que se passa nos níveis ainda mais incompetentes da “justiça”.

No fundo do Estado uma prisão do Porto foi atacada por 3 centenas de GNR à procura de droga. Desde o director da cadeia até ao chefe de guardas, passando pela guarda prisional especial ao serviço da direcção geral dos serviços prisionais, ninguém é de fiar. Nenhuma explicação, ou sequer pedido de esclarecimento, mereceu esta aventura. Para os que definem normal como o respeito pela norma, e criminoso o que falta de forma conhecida a alguma regra social básica inscrita no código penal, para esses estes dois casos, e sobretudo a realidade de que emergem, pura e simplesmente não existe. De facto, não pode existir. Quando os guardas das normas falham às normas a normalidade perde qualquer sentido e, das duas uma: a) a norma precisa de ser reafirmada – como gostam de dizer – e alguém terá de ser punido (mas quem? E como?); b) a norma não existe, pelo menos na formulação fácil mais utilizada pelos juristas básicos e seus seguidores.

Há ainda uma terceira hipótese, quiçá a mais provável: os Portugueses, por norma, especializaram-se em tornarem-se seguidores básicos de juristas básicos, sobretudo se bem colocados hierarquicamente. Se for esse o caso, porque é que os Portugueses se comportam como pessoas vítimas de abuso? A pergunta impõe-se: quem abusou e como dos Portugueses? Porque persiste a síndrome da Casa Pia? Porque fomos incapazes de tratar o assunto e como ele continua a emergir na nossa vida colectiva persistentemente?

*Sociólogo > Professor do ISCTE

A História, às vezes, parece que se repete...

... ou de como [quase] tudo continua na mesma

«Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas;
um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai;
um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta.
Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação, da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro.
Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País. A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas.
Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar.»

Guerra Junqueiro > «Pátria», 1896.

Pela Liberdade de Imprensa

Pela Liberdade de Imprensa
CONTRA A MORDAÇA E A CRIMINALIZAÇÃO DE JORNALISTAS. A LIBERDADE NÃO SE DISCUTE!

Jornal PRIVADO, Informação Pública

Porque o JORNALISMO não é o mesmo que vender lentilhas. Porque um JORNAL deve ser a última trincheira da liberdade. E porque os JORNALISTAS não são moços de recados.


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