terça-feira, 10 de novembro de 2009

A certidão incerta

A jornalista Arlinda Brandão da RTP informou, hoje, 9-11-2009, que o procurador-geral da República, Dr. Fernando Pinto Monteiro, desmentiu que tivesse «algumas certidões extraídas do processo Face Oculta (...) paradas há quatro meses na Procuradoria», negando assim a notícia do CM, de 7-11-2009. A jornalista escreve que as certidões não estiveram paradas, mas fala que o procurador-geral diz que não tinha as certidões há quatro meses.

O procurador surge no audio da notícia da RTP a dizer que as certidões, pelo menos aquela que está em questão, relativa ao primeiro-ministro, senhor José Sócrates, e ao Dr. Armando Vara não estiveram paradas. O procurador-geral informa que teve uma reunião em Maio de 2009 com o procurador distrital de Coimbra e o coordenador do Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Aveiro (Dr. João Marques Vidal) a propósito de uma certidão extraída do processo Face Oculta (presumindo-se que seja aquela relativa ao primeiro-ministro Sócrates e ao Dr. Vara) e que em Setembro foram emitidos despachos dele próprio, procurador-geral, e do Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Dr. Noronha do Nascimento, seu velho adversário na corrida a presidente desse órgão, para quem o Dr. Pinto Monteiro parece atirar a bola. (...)

Ler mais em:

sábado, 7 de novembro de 2009

Vale a pena lutar

Os do costume

Pedro Namora*

A operação face oculta já era. Nem tempestade, nem abalo. Apenas a tarefa periódica, um leve espernear tendente ao ócio futuro, um faz-de-conta com destino preciso: a presunção de inocência a reforçar o clima propiciador de outras fazes tão ocultas quanto esta. O que é preciso é enganar a malta, fingir que se quer combater o que afinal é o cimento do sistema.
Por esta altura, nos labirintos pérfidos da república das bananas, as ratazanas movem-se, traficam influências, ameaçam-se recíprocamente. Invocam-se solidariedades passadas, crimes comuns, cozinhados antigos. Se me tocas, disparo, se investigas, mordo-te. Ai como deve rebolar de riso a Fatinha de Felgueiras e quejandos. Os do avental já reuniram e teceram estratégias: a presunção de inocência é tudo, ou quase. Porque o resto, pá, o resto é uma cambada de invejosos.

Nas próximas semanas não faltarão entendidos a perorar sobre as maldades cometidas contra as almas puras, sucateiros ou banquei ros, com diploma da Farinha Amparo, lavrado a preceito pela família. E ainda há quem os leve a sério. O país está a saque, mas não se pode sequer o elementar gesto de revolta, nem o grito ingénuo: agarra que é ladrão!

Esta cambada não nasceu agora, perdeu o umbilical cordão nos idos de 74 e 75, quando para malhar nos comunistas e nos que desejavam um país novo e limpo, se recrutaram bandidos, pides, verdugos. O Ramiro, por exemplo. Bombista exemplar, amnistiado por Mários Soares, mas que, enquanto perseguido pelo Estado português, chefiava a delegação da, então pública, Galp em Madrid.

Esse bombista, quem o nomeou? Vinha a Portugal as vezes que queria, sem que a polícia o incomodasse, porque os padrinhos velavam. Não sei se Soares o condecorou, como ao Ritto pedófilo, mas que vinha, vinha. E como ele tantos. Porque a cumplicidade forjada nos anos da traição ao 25 de Abril, pode mais. Por onde anda o autor dos faxes pedindo cinco milhões de contos a Carlucci, para derrubar as resistências débeis, de dois autarcas conhecidos, à voracidade construtora da empresa que o mafioso da CIA dirigia?

Portugal é um lodaçal: das inspecções automóveis aos exames de condução, do tráfico de mulheres e armas à violação de crianças; das facturas falsas ao roubo de milhões, tudo passará impune, porque a presunção de inocência dos poderosos vale tudo.

*Advogado

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Emergências Instáveis

Ventiladores e conspirações

António Pedro Dores*

Pela primeira vez na história da humanidade está-se a seguir ao vivo ao evoluir de uma pandemia. Para os profissionais de saúde pública é uma oportunidade de fazerem valer as suas competências e os seus poderes. Para a população em geral é um grande susto. Apesar do conhecimento humano, os rumores, a confusão, o medo, o pânico imperam, seja no alarmismo oficial (contagens de infectados em tempo real como estratégia de transparência, falhada evidentemente) seja a nível popular, assim se sabe poder haver numa escola um foco infeccioso.

A Humanidade contará nesta ocasião, para o melhor e para o pior, com as instituições e as relações sociais actuais. Tais estruturas não podem transformar-se demasiado para se adaptarem às novas circunstâncias, em periodos de tempo muito curtos e tão conservadores como aquele que vivemos.

Da mesma maneira que a crise financeira está a ser tratada em segredo, naturalmente também a crise pandémica é tratada da forma como os sistemas de saúde tratam comumente os doentes: como se a humanidade fosse um aglomerado de potenciais doentes numa sala de espera para serem atendidos pelos profissionais, a seu tempo.

Na verdade, o grande problema parece ser a falta de ventiladores. Embora o virus próprio da pandemia seja benigno, o facto de se alastrar muito rapidamente terá a consequência de trazer aos hospitais demasiados casos de doentes que sabem haver tratamento para as suas doenças, mas para os quais não existirão equipamentos suficientes para todos. Os dilemas éticos criados por esta situação (quais médicos terão o poder de decidir quem terá acesso aos ventiladores e quem não terá?) têm, obviamente, um potencial perturbador das instituições e da sociedade em geral.

Numa sociedade de risco, será que vamos constatar não estarmos preparados - apesar dos conhecimentos e das tecnologias - para lidar com uma pandemia? A questão não é apenas académica (seria bom que fosse levada a sério pelas academias, sim). É também levantada pelos protagonistas das teorias da conspiração: a) que parte da preparação da defesa contra a pandemia não é estratégia comercial das empresas de vacinas? b) pode o processo de liderança por parte das instituições de saúde ser utilizado pelos poderes globais firmados nas instâncias internacionais - e provavelmente também na Organização Mundial de Saúde - para radicalizar as políticas em moda de troca de liberdade por segurança? c) a informação a prestar às populações sobre a pandemia deve ser de tipo comercial, induzido comportamentos prescritos, ou deveria ser de tipo político, mobilizando a solidariedade e responsabilidade públicas e de cada um em função do bem estar geral?

Desqualificar os mensageiros destas perguntas por serem monges, doentes mentais ou outra coisa qualquer não desvaloriza as perguntas (ao contrário). Nem lhes dá resposta.

*Sociólogo, Professor Universitário

domingo, 1 de novembro de 2009

Opinião

Face oculta

Joaquim Jorge*

1 - Já há muito tempo que não tínhamos uma bronca e um affaire de colarinho branco. Não está em causa Armando Vara, por acaso é do PS e lá fez todo o seu percurso ascendente na hierarquia para chegar ao topo e ganhar o mais possível. Actualmente é vice-presidente do Millennium BCP foi constituído arguido com outras pessoas, ao todo 12 (estando mais gente do PS, José Penedos e Paulo Penedos), na operação Face Oculta. Este país sem vergonha em que tudo é possível com a maior das naturalidades. A naturalização da corrupção e casos é o nosso dia-a-dia. Ninguém se importuna ou inconforma. Será com certeza mais uma novela negra própria de um filme de acção e intriga em que no fim os maus, ao contrário do normal, se salvarão e rirão dos bons.

Tenho vergonha de viver neste país de casos, estardalhaços, corrupção, luvas, jogos sujos, descaramento e impudência . Em que se investiga, contudo fica tudo na mesma e sem culpados. Uma das formas de Portugal ficar melhor, mais bem frequentado será limpar parte dos senhores que estão à frente de organismos de Estado e com ele têm negócios. Sinto-me ultrajado neste país nepótico e impune, perante este e outros casos por resolver. Nunca há culpados e quem prevarica safa-se sempre. Muitas parangonas nos jornais, fala-se durante uns tempos, depois morre tudo, até a culpa. Estou cansado deste país, apetece-me viver noutro lugar em que haja mais transparência, responsabilidde, menos habilidosos e mais condenados.

2 - Depois desta trama de contornos nebulosos, ocultos e nauseabundos, não entendo porque só está detido preventivamente José Manuel Godinho. Será porque é o elo mais fraco e perfeitamente descartável neste caso? Porque não estão presos os restantes arguidos, entre eles, Armando Vara, José Penedos, Paulo Penedos, etc. ? Porque é que o PS não suspendeu a militância aos imputados? Esta trama em que está em causa negócios na órbita do Estado - REN, Refer, Galp e EDP com empresas privadas de José Manuel Godinho - O2,SEF e outras. Potencia a existência de algo organizado e com fins objectivos, tendo por base lograr modificar determinadas directivas das empresas do Estado, cobrar comissões,suborno, fraude ao Estado, cobranças ilegais e tráfico de influências. Aproveitando os cargos institucionais de uns, posição e contactos políticos de outros, e a actividade empresarial dos demais. Esta trama corruptiva aponta para a prática de quatro crimes: corrupção, participação económica em negócio, tráfico de influência e associação criminosa.

É lamentável, alguém pagar comissões a partir da sua empresa na actividade de contactos com autoridades e cargos públicos para obter benefícios e projectos para a sua empresa. Mas não se enganem , estes procedimentos são prática comum em Portugal, estes tiveram azar, veio a lume e deram muito nas vistas... Todavia a Justiça portuguesa tem vários pesos e medidas para casos similares. A Justiça tem a responsabilidade de estar à altura do que os portugueses merecem e exigem: rapidez e que se condene os culpados. Todavia essa responsabilidade de estar à altura do que esperam os portugueses e a sociedade nunca acontece. Acontece precisamente o contrário, e a Justiça exerce-se sobre os mais débeis e prova a sua debilidade. Deveria ser exercida sobre todo o mundo e não sobre os mais fracos. A Justiça e os seus responsáveis devem dar a cara e dar explicações. A ideia que perpassa é que a Justiça não é actuante e poderia fazer mais e melhor. Daí, Portugal não ter Justiça à altura. É preciso outra política e outros valores para sair desta crise na Justiça. Reformas ou deliberações que garantam a equidade, sem privilégios para os ricos e poder de influência, os cidadãos estão cansados da humilhação cúmplice perante o poder económico. Perante todos estes casos que têm vindo a lume a Política e a Justiça não tiraram as devidas conclusões: a justiça não é infalível e a avareza é má.

A nossa sociedade não pode permitir que sectores sociais e pessoas com responsabilidades no Estado traiam os mais elementares valores e possam continuar no Estado e a condicioná-lo. É preciso uma consciência cívica da sociedade. A aposta no diálogo nem sempre é possível, já se esperou muito tempo que se faça justiça . Isto só vai com uma mobilização massiva.

*Fundador do Clube dos Pensadores

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Ponta & Mola

A posse e a pose

António Manuel Pinho
privado.apinho@gmail.com

E tomou posse. Entre mesuras e rapapés, José Socrates assumiu funções na chefia do 18º governo constitucional. No discurso de investidura, o repetente primeiro-ministro, entre o «animal feroz» e o «cordeirinho», lá foi dizendo às «ilustres personalidades» presentes – e ao País que o ouviu nas televisões – que ia manter o rumo.

No cabeleireiro, onde me encontrava, o seu discurso não provocou nenhuma reacção entre as cabeleireiras presentes e não senti, na cirurgia do corte, nenhuma oscilação ou tremura na mão da senhora. Ao mesmo tempo, na rua, ouviu-se o latido de um cão e o chiar ronfeiro da carrinha que passava. E pareceu-me, ali no aconchego da poltrona do salão, que os portugueses pouco teriam ligado aos discursos e ao verniz presidencial.

À entrada do local de investidura, repórteres tolos - ou que reproduziam as tonterias de editores e chefes de redacção, de directores e outras aventesmas - faziam a pergunta engatilhada e patética: «O governo é para durar 4 anos?» Como se esse fosse o principal problema do «país real», quando o que seria aceitável e [exigível] era perguntar que políticas iriam ser seguidas.

Sócrates, tenho quase a certeza, aposta num governo até final de legislatura, eleitoralista q.b. E, em caso de «aperto», sempre poderá contar com os bons préstimos de Portas ou o pontual anuír de Louçã. Porque, ao que parece, serão estes dois partidos que irão ser a charneira dos interesses socratinos. Isto é, se entretanto Passos Coelho não conseguir catapultar-se a líder laranja... Porque aí a coisa muda de figura, pois toda a gente percebeu que, no PSD, manobram interesses ocultos apostando no perpectuar, agora com honras de coligação, do «centrão» que, como já se percebeu também, seria do agrado de barões e da malta do negócio – pontificando aqui a figura tutelar de um ex-ministro laranja muito ligado a interesses económicos obscuros, mexendo os cordelinhos, influenciando aqui e ali...


O que esperar deste governo? Eu não espero nada! E até aposto que, em caso de desnorte de Sócrates – não se confirmando o cenário que tracei, e ressurgindo o «animal feroz» -, a «maioria silenciosa» que lhe deu o voto encherá as ruas protestando. Para, logo a seguir, alegremente bisar o voto e a pose de carneiro.


ED Nº18, 28 Outubro 2009

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Edição Nº18, amanhã nas bancas

SP SUSPENDE PUBLICAÇÃO
E VOLTA NO INÍCIO DO ANO

Até já!

Iniciando a publicação em 1 de Julho, o Semanário Privado assumiu-se, desde o início, como um projecto de jornalistas e uma voz livre ao serviço da diversidade que todos somos.

Provamos, 18 semanas depois do início desta jornada, que é possível afirmar uma voz alternativa à formatação mediática em curso, ao discurso único e ao «jornalismo por encomenda».

Passada esta primeira fase, entendemos por bem, porque acreditamos neste projecto de cidadania, fazer uma pausa nas edições, apostando numa segunda série no início do próximo ano. Desde logo, porque é preciso trazer a este projecto de jornalistas uma nova e necessária componente: a sua elevação a um projecto empresarial, dotando-o de meios e instrumentos necessários à sua afirmação no universo mediático. E, por outro lado, reiniciar a nova edição em condições de promoção e divulgação que permitam ao Semanário Privado subir a um outro patamar, nomeadamente, tornando-o conhecido de cada vez mais leitores.

Não é o fim, é um até já para regressar em melhores condições, com nova imagem e novos meios para melhor servir o direito à liberdade de imprensa, dizendo sempre a verdade, doa a quem doer! Obrigado por acreditarem em nós.

A Direcção do Semanário Privado


CONTINUAMOS A ESTAR EM www.jornalprivado.blogspot.com E NO FACEBOOK
BREVEMENTE PORTAL COM EDIÇÃO ONLINE

Portugal, Portugal

Jorge Palma

Pela Liberdade de Imprensa

Pela Liberdade de Imprensa
CONTRA A MORDAÇA E A CRIMINALIZAÇÃO DE JORNALISTAS. A LIBERDADE NÃO SE DISCUTE!

Jornal PRIVADO, Informação Pública

Porque o JORNALISMO não é o mesmo que vender lentilhas. Porque um JORNAL deve ser a última trincheira da liberdade. E porque os JORNALISTAS não são moços de recados.


Escrevinhadores no activo

ANTÓNIO ALTE PINHO

ANTÓNIO PEDRO DORES

JOSÉ LEITE

JOSÉ PEDRO NAMORA

LUÍS FILIPE GUERRA

MÁRIO LESTON BANDEIRA

PEDRO QUARTIN GRAÇA


Parceiros

> GUIA DOS TEATROS
http://www.guiadosteatros.blogspot.com/

> VIDAS ALTERNATIVAS http://www.vidasalternativas.eu/

> MOVIMENTO DE EXPRESSÃO FOTOGRÁFICA
http://www.mef.pt/

> BARLINDA
http://www.barlinda.com/

> PALCO ORIENTAL
http://sites.google.com/site/palcooriental1989

> VERDE MAIO
http://www.verdemaio.blogspot.com/

> EMERGÊNCIAS INSTÁVEIS
http://emergencias-instaveis.blogspot.com/

> COCOBAÍA
http://www.cocobaia.com/

> ÁGUA DE COCO VERDE
http://www.aguadecocoverde.blogspot.com/

Companheir@s de jornada

O que somos?

A minha foto
Um blogue de jornalistas e cidadãos, para dar voz à cidadania. Porque o pensamento único nos provoca azia.